17 DE AGOSTO DE 2011, 11H33
Depois de uma investigação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (SRTE/SP), a rede de fast fashion espanhola Zara foi acusada de utilizar mão de obra escrava no Brasil. A denúncia partiu da ONG Repórter Brasil, que acompanhou a operação, e foi repercutida no programa A Liga, da TV Bandeirantes, na noite dessa terça-feira, 16 de agosto.
Durante a fiscalização de várias oficinas de costura na capital paulistana, foram encontrados grupos de estrangeiros submetidos a condições precárias. Os trabalhadores (em sua maioria bolivianos e peruanos) eram contratados pelo grupo AHA, empresa terceirizada, e recebiam salários entre 274 e 460 reais, valores bem abaixo do salário mínimo nacional de 545 reais. O caso ganhou as redes sociais e está entre os assuntos mais comentados no Twitter.
A mão de obra em condições análogas à escravidão é mais comum no Brasil do que se imagina. De acordo com o Ministério do Trabalho, estima-se que existam cerca de 100 mil estrangeiros em situações semelhantes só no Estado de São Paulo.
O outro lado
A Inditex, proprietária da Zara e de outras redes de fast fashion (como Pull & Bear, Massimo Dutti, Bershka e Stradivarius), soltou um comunicado oficial à imprensa na tarde desta quarta-feira, 17 de agosto, afirmando que a terceirização da empresa não era autorizada e que “repudia absolutamente” a ação. Leia abaixo trechos do documento:
“Tal fato representa uma grave infração de acordo com o Código de Conduta para Fabricantes e Oficinas Externas da Inditex, assumido por este fabricante contratualmente. O Código de Conduta (…) defende a máxima proteção aos direitos dos trabalhadores.”
“Ao ter conhecimento dos fatos, a Inditex exigiu que o fornecedor responsável pela terceirização não autorizada regularizasse a situação imediatamente. O fornecedor assumiu totalmente as compensações econômicas dos trabalhadores tal como estabelece a lei brasileira e o Código de Conduta Inditex. Além disso, as condições de trabalho dos terceirizados estão sendo regularizadas (…)”
“A Inditex, em parceria com o Ministério do Trabalho e Emprego do Brasil, vai reforçar a fiscalização do sistema de produção tanto deste fornecedor como de todos os outros no país, para garantir que casos como este não se repitam.”
Fonte: http://modaspot.abril.com.br/news/escandalo-zara-tem-ligacoes-com-trabalho-escravo-no-brasil






